Faculdade de Teologia

No final do ano passado resolvi dar uma mexida na vida, fiz um processo seletivo e em fevereiro comecei o Curso Superior de Teologia da FATEO. Esse espaço poderá ser muito útil para o curso, para aprender a escrever e para ouvir críticas; o que está faltando é tempo.

Mas mesmo se eu conseguir tempo pra escrever aqui, não esperem textos profundos, pois estou apenas o início do curso, e minha cultura teológica é pífia. Tentarei escrever sempre que possível, mas tô vendo que será complicado. Colocar aqui os trabalhos feitos lá é uma opção, vou ver se faço ao menos isso…

Rezem por mim!

As duas semanas entre o sumiço e o reencontro da Bardot

Bardot

Terça-feira, 16 de dezembro de 2014, 23h00. Caía um dilúvio em Brasília. Eu estava de plantão no trabalho, e mal sabia as agonias que as duas semanas seguintes me trariam.

Ligo para casa, avisando para darem comida para as duas cachorras (Bardot, 12 anos e Sunny, 5). Meu filho abre a porta de casa e percebe que o portão da garagem tinha sido aberto por algum fenômeno natural: curto, raio, não sabemos. Há quanto tempo? Também não sabemos. Depois de fechado, foi a hora de separar as duas cachorras, que costumam comer separadas. Mas onde está a Bardot? A família se mobilizou para procurá-la, mas nada. Bardot fugiu.

Recebo o telefone no trabalho, sem poder sair para fazer nada. O que aconteceu daí pra frente nós só ficamos sabendo mais tarde. As horas seguintes foram de buscas pelas ruas mais próximas de casa. Nada. E eu ainda no trabalho, sem saber o que fazer. Sou liberado 1h30, já sabendo que as buscas não tiveram sucesso. Vou pra casa devagar, procurando. Estaciono e resolvo dar uma volta a pé, verificando cada cantinho entre as casas. De terno. Na chuva. Mas nada de Bardot. Outra volta de carro, mas nada. A chuva continua, não dá pra ver quase nada. O jeito é dormir e voltar à busca no dia seguinte.

Na manhã seguinte não vou ao trabalho. Saio pelas ruas mais próximas, perguntado para jardineiros, piscineiros, qualquer um na rua pra ver se alguém a viu. Uma notícia: ela foi vista num conjunto próximo. Verifico tudo ao redor, mas nada. Era alarme falso, como saberíamos mais tarde.

Ao fim da manhã, depois de rodar todas as ruas mais próximas, coloco em prática o plano B: o Facebook. Ao longo das duas semanas seguintes, esse post seria compartilhado mais de 1125 pessoas. Sou muito grato a cada uma delas, apesar de não ter sido essa o caminho que nos levaria a encontrá-la.

À tarde, já no trabalho, recebo uma notícia: uma pessoa (Manuela) postou fotos dela no Facebook. A foto era dela, não havia dúvida. Consegui seu telefone, e ligo para ela aliviado. Mas o alívio durou pouco, pois ela me conta que tentou levá-la a um hospital veterinário relativamente próximo, onde foram tiradas as fotos. O problema é que o hospital não a aceitou, por não estar com o dono e por ela não estar machucada. No caminho de volta para o carro ela fugiu, pois estava sem coleira. Ainda chovia, e ela – assustada – correu e sumiu na escuridão. A Manuela não pôde fazer nada.

Ao receber a notícia, já no trabalho, pedi permissão para procurá-la no matagal próximo ao ocorrido. Eu e meu filho nos enfiamos no matagal, mas sem sucesso. Coloco uma atualização no Facebook, que foi compartilhada por 686 pessoas. Minha gratidão a esses também.

No dia seguinte entra o plano C: distribuir panfletos pelas ruas mais próximas do último lugar onde ela foi vista, o hospital que não a aceitou. Novamente, conversamos com jardineiros, piscineiros, transeuntes, etc., mas nada.

Os próximos dois dias são assim: recebemos algumas informações desencontradas nesse tempo: ela foi vista perto daqui, ela foi vista perto dali. Fazemos buscas em horários diferentes, para tentar encontrá-la andando. Encontrá-la dormindo é tarefa quase impossível, pois ela já não ouve tão bem por causa da idade. Muitas pessoas comentam no Facebook, mandam mensagens, ligam. Mas nada de concreto.

Na sexta decidimos pôr em prática o plano D: colocar faixas em locais estratégicos, com nossos telefones. Infelizmente não conseguimos ninguém para confeccioná-los. Em todos os lugares para que ligávamos, o prazo mínimo era segunda-feira. Entra em prática, então, o plano E (uma variação do plano C, na verdade): distribuir mais panfletos, nas portarias de condomínios, em comércios mais movimentados, etc. Assim é o sábado. O domingo é pra andar de carro por todo lado, procurando. Nada.

Na segunda-feira colocamos as faixas. A partir daí começam a aparecer ligações: 3 pastores encontrados aqui, outro visto ali. Corremos aos locais para verificar, mas nada de encontrar a Bardot.

Uma viagem já está marcada para a terça-feira à noite. O coração aperta, sabendo que qualquer notícia não poderia ser verificada imediatamente por estarmos longe. Já não vemos a Bardot há uma semana.

Na quarta-feira recebo muitas ligações, mas todos de cachorros que já tínhamos visto antes de sair, ou que sabíamos não ser a Bardot.

Na manhã da quinta-feira, já cansado de dar respostas negativas, uma pessoa (Cláudia) liga dizendo que encontrou o panfleto em uma pet-shop que frequentava e que estava com a Bardot. Ela não quer dar o endereço para que o jardineiro vá buscar; ela não quer tirar uma fotografia pra termos certeza de que é a Bardot; ela deixa um telefone que quase sempre cai na caixa posta. Ficamos agoniados, sem saber se ela está sendo bem tratada (o que, agora sabemos, foi o que aconteceu) ou mesmo se a informação é verdadeira.

Nessa agonia, resolvo recorrer a uma colega de trabalho, que tenta conseguir mais informações, e nos ajudou muito nessa história toda. Uma pausa para um agradecimento necessário: muito obrigado por tudo, Kátia! Nos tranquilizou muito saber que tinha alguém por perto tentando resolver. Somos muitíssimos gratos pela sua ajuda. Ela tenta de todas as maneiras, mas não consegue muita coisa: a Cláudia só quer entregar a Bardot para o dono.

Temos que esperar até o domingo, quando voltamos a Brasília e combinamos de encontrar com a Cláudia. Por motivos desconhecidos a nós, o encontro só acontece na segunda-feira, dia 29, quase duas semanas depois. Mas é ela mesma. Muito bem cuidada. Aqui uma pausa para o maior agradecimento: muito obrigado por cuidar da nossa Bardot por todo esse tempo, Cláudia.

Só então ficamos sabendo: ela foi encontrada pela Cláudia logo depois de fugir da Manuela. Era muito difícil falar com ela por causa das viagens que ela faz. E, provavelmente, o fato de ela não ter deixado ninguém pegar, nem mandar fotos, foi para ter certeza de estar entregando a Bardot para a pessoa certa. Confesso que essa dúvida de quase cinco dias foi muito agoniante, mas entendo perfeitamente os motivos dela. A Bardot foi muito bem cuidada durante esse tempo, e nos alivia muito saber que todo esse tempo ela não ficou perambulando pelas ruas, mas sendo cuidada com muito carinho.

Bom… Agora que ela já está aqui em casa, dá pra esfriar a cabeça e fazer um balanço final: se isso acontecer contigo, não demore, como eu. Mande fazer logo as faixas e distribua panfletos o máximo que puder. Se eu tivesse feito isso antes, talvez a Cláudia tivesse visto o anúncio antes, e “devolvido” a Bardot antes da nossa viagem.

O fato é que eu confiei demais na Internet, talvez por trabalhar na área de informática. É claro que é uma ferramenta poderosa, mas como a grande maioria das pessoas não a utilizam, o poder de penetração não é tão grande. O que resolveu pra nós foi uma combinação de faixas + panfletos. Ou seja: utilize todos os meios, pois não dá pra saber de antemão que tipo de pessoa encontrou seu querido cãozinho…

A foto que ilustra o post é dela já em casa, depois de toda essa confusão. Fica aqui nosso muito obrigado a todos que tentaram ajudar da forma como puderam!

P.S.: sempre reviso os textos antes de publicar, mas dessa vez vou deixar o “primeiro take”. Perdoem os eventuais erros. Até o título ficou ruim, mas tá tarde, vai ficar assim mesmo… =)

Em que posso te atrapalhar?

Estado

Pois é… Já tem alguns meses que eu compartilhei essa foto no Facebook, e hoje me aconteceu uma coisa que me lembrou dessa imagem:

Eu estou com uma cadela operada, e o veterinário recomendou o uso de Rifamicina, um antibiótico em spray, para aplicar sobre os pontos. Comprei na própria pet shop, e utilizei por uma semana. Como é difícil manter cachorro, mesmo ficando preso quase o dia todo, alguns pontos se abriram, e foi necessário refazê-los. Com isso, a recuperação demorou, e a Rifamicina está acabando. É aí que aparece o Estado pra atrapalhar a minha vida: eu saio de casa agora à noite para comprar mais um frasco do antibiótico, mas ao chegar à farmácia a atendente me diz que só pode vender com receita médica.

Alguns vão dizer: “o Estado só está tentando proteger o cidadão”. Mas me proteger de quê, exatamente? De mim mesmo? O Estado está dizendo que eu, você e todos os cidadãos brasileiros são burros demais pra comprar um antibiótico por conta própria? Que a proibição é mais benéfica a nós que a minha liberdade de comprar o remédio? Sim, há casos em que a droga é muito forte, e o risco de vida é alto para quem toma, mas estamos falando de um antibiótico bactericida! Basta ler a bula pra ver que o benefício é muito maior que qualquer reação ou efeito colateral!

O que fazer? Tentei convencer a atendente, mas ela disse que não podia, que a Anvisa fiscaliza pesado as farmácias maiores. Me recomendou ir a uma farmácia menor, de preferência na periferia, que lá eles vendem porque a fiscalização é menor. O Estado me trata como se eu fosse um sujeito perigoso, que tem que procurar a clandestinidade pra curar uma cadela. Dá pra perceber o quanto isso é ridículo e inócuo? Afinal, eu vou comprar de qualquer jeito amanhã, no veterinário (que não exige receita médica) ou até em alguma farmácia na periferia (e com isso o Estado está dizendo indiretamente que acha que a vida deles vale menos que a dos demais cidadãos).

E isso tudo em nome das “boas intenções”.

Resultado: minha cachorra vai ficar sem o remédio hoje, e só amanhã à tarde terei tempo de ir ao veterinário comprar mais.

É esse tipo de controle sobre o cidadão que não pode existir. Orientar, tudo bem, mas tratar quem precisa como se fosse um criminoso é ridículo. É nessas horas que eu quase (quase!) concordo com os que pedem a liberação de todas as drogas. Fazer esse controle com medicamentos mais fortes, que oferecem risco real à saúde a quem compra, tudo bem. Isso é algo que até o mais radical dos libertários pode entender, ainda que não concorde. Mas pra um spray para matar bactérias? Fala sério!

E ao mesmo tempo que o Estado todo-poderoso se intromete cada vez mais na sua vida particular, ele não resolve os problemas básicos da população, como os mais de 50 mil assassinatos por ano, pra citar só um exemplo.

Mas fazer o quê? O jeito é fazer piada…

O governo é prejudicial à saúde

Ponte miocárdica

Esse termo resume o que eu passei nos últimos 10 dias. Mas vamos ao começo de tudo:

Na segunda-feira retrasada, dia 16, por volta das 22 horas, enquanto assistia TV tranquilamente com a minha esposa, comecei a sentir dores no peito. Tenho um histórico de procurar o cardiologista sempre que sinto algo estranho, mas todas as vezes anteriores os exames não detectaram nada. Inclusive uma das vezes fui ridicularizado pelo cardiologista após sentir uma extra-sístole mais forte que o normal. Ele riu, dizendo que “não é nada”, como se minha atitude tivesse sido ridícula. Diante desse histórico, minha reação foi a de aguardar para ver se a dor passaria espontaneamente.

Passei uma péssima noite, praticamente sem conseguir dormir, pois a cada movimentação que fazia com meu corpo, sentia dores fortes no peito, associadas ao batimento cardíaco (cada batimento dava uma espécie de “pontada”). Logo pela manhã do dia 17, resolvi ir ao hospital. Lá, fiz um ECG, fiz um exame de sangue e tomei alguns remédios para a pressão, que nem estava muito alta (13×8), e com o tempo a dor foi diminuindo. Os exames não mostraram alteração nenhuma, e recebi um pedido para fazer uma cintilografia, que fui fazer imediatamente.

A cintilografia foi feita em duas etapas: a primeira em repouso, que fiz nesse mesmo dia, e a segunda na esteira, que fiz no dia 19. A médica que me atendeu disse que a princípio o exame não tinha detectado nada, mas que o resultado detalhado – e portanto mais exato – sairia em 3 dias. Já no dia seguinte (20), me ligaram dizendo que o resultado já estava pronto. Aproveitei para pegá-lo logo, já que havia uma consulta marcada com meu cardiologista no dia 21. O resultado apresentou uma alteração, mas minha ignorância no assunto não me permitiu saber o que era exatamente.

No sábado (21) fui à consulta, e ao ver o resultado o cardiologista recomendou um cateterismo. Me assustei bastante no início, mas como não havia nada a fazer, paciência… Combinamos de eu me apresentar no hospital para internação no domingo, dia 22, para fazer o cateterismo no dia seguinte (23) pela manhã. Logo após o exame – que correu muito bem – me informaram que não fora detectado entupimento algum, mas que eu possuía a tal “ponte miocárdica”. No dia seguinte (24), recebi alta.

Pelo que entendi, trata-se de um “defeito de fabricação”, onde uma das artérias, ao invés de passar sobre os músculos do coração, passa no meio deles. Assim, quando há exercício intenso (o que realmente ocorreu no dia 16 pela manhã), o próprio coração estrangula essa artéria, causando a dor. Ainda não pude conversar com o meu cardiologista – o que devo fazer amanhã – mas pelo (pouco) que entendi, não é nada muito grave. É uma condição que não é tratável, e com a qual terei que conviver para sempre.

Resolvi escrever aqui no blog porque sei que terei que explicar inúmeras vezes. Não quis dar uma notícia curta antes de saber o motivo para não causar preocupações desnecessárias, e só agora consegui ficar mais descansado para escrever o texto.

O fato é que já estou me recuperando bem do cateterismo, e estou muito satisfeito de ter descoberto qual é o problema que eu tenho. Quando tiver mais notícias aviso.

Um grande abraço a todos e um ótimo 2014!