Festas de arromba

Festa de Arromba

Não sei ao certo onde essa história toda começou, mas o fato é que a ideia é interessante: fazer uma música citando cantores e bandas da sua época. Tão interessante que foi repetida várias vezes, como veremos.

Pelo menos pra mim, a história começa em 1965, com Festa de Arromba, da dupla Roberto e Erasmo:

Uma musiquinha leve, sem maiores pretensões, só uma brincadeira com os amigos…

Depois, veio Arrombou a Festa, de Rita LeePaulo Coelho, em 1977:

Essa já não é nada inocente, mas uma crítica à MPB da época.

Dois anos depois, veio a parte 2:

Arrombou a Festa II segue o estilo da parte 1, atirando pra todos os lados… No finalzinho sobra até para a música Le Freak, da banda Chic.

E Rita Lee volta novamente em 1983, dessa vez com Roberto de Carvalho, com Arrombou o Cofre:

A música continua a mesma, mas o alvo agora é outro: os políticos. Alguns deles, inclusive, não largam o osso de jeito nenhum, estando “na ativa” até hoje, mais de 30 anos depois. Serve pros mais jovens verem que não é de hoje que vemos “governadores, deputados e vereadores saqueando bancos e bancando defensores”…

Em 1986 foi a vez de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados lançarem o Luau de Arromba, de Selvagem Big Abreu e Leandro Verdeal (cuja lembrança, aliás, foi o motivo de eu fazer esse post aqui):

Depois disso, só me lembro de Made In Brazil, de Lulu Santos, de 2000:

Bom… Pelo menos pra mim, a lista acaba aqui. Se você tem mais informações sobre outras músicas que seguem a mesma linha, por favor comente aí embaixo…

P.S.: impossível não lembrar da ótima sátira de Maurício Ricardo, a Festa de Arromba do Mensalão, que, apesar de não se encaixar no meu critério por ser uma sátira, vale ao menos a citação. Você pode baixar aqui.

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Futebol

Futebol

Logo no segundo dia da Copa, fiz o seguinte comentário no Facebook:

Balanço de um jogo e meio de Copa: um pênalti mal marcado a favor do Brasil, dois gols do México mal anulados. Que me desculpem meus amigos fãs, mas futebol cada vez mais prova que é esporte pra otário, pra quem gosta de ser enganado.

Ontem, após um comentário de que havia perdido os 2 gols primeiros gols de Nigéria x Argentina, meu amigo Ronaldo, gozador como sempre, comentou:

Uai Zé, pensei que você não via mais futebol rsrsrs

Não sei se a intenção foi mostrar uma possível contradição, mas o comentário conseguiu chamar a minha atenção. Parei pra pensar no assunto, e daí surgiu esse post.

Por que eu acho que “futebol é esporte pra otário” mas continuo assistindo? Minha resposta foi simples: “Ver eu vejo. Só não torço.” Foi isso que mudou na minha “vida futebolística” de uns 2 ou 3 anos pra cá. Geralmente, assisto os jogos distraído, fazendo alguma outra coisa: lendo, batendo papo, ouvindo música, navegando na internet, dando algumas paradas só pra curtir os lances mais bonitos, quando o locutor aumenta o tom de voz. Se o jogo estiver embolado, esqueço; se estiver mais movimentado, paro o que estou fazendo pra acompanhar melhor. E só. Torcer, que é bom, não torço mais.

Mas o que mais me irrita no futebol é que ele poderia ao menos tentar melhorar, mas não quer. Alega-se que o bom é a “polêmica” no dia seguinte. O problema é que a polêmica acaba ficando acima da justiça, e isso pra mim é inaceitável. Se há maneiras razoáveis de tentar eliminar as injustiças mas não se tenta, a explicação é, na melhor das hipóteses, o apreço pela injustiça, e na pior, pela manipulação de resultados.

Nessa Copa já houve uma mudança, que foi o sensor que indica se a bola entrou ou não. Já é um ótimo avanço, mas daria pra tentar fazer muito mais. E olha que nem é necessário pensar muito; dá pra copiar o que já existe em outros esportes. Destaco alguns pontos:

Replay

Numa Copa do Mundo, com 472 câmeras em campo, por que não parar o jogo por alguns segundos para assistir um replay antes de decidir? Sério, é tão simples! Faça-se como no basquete: a decisão do juiz é o que vale a princípio, mas se o replay mostrar que o juiz errou, a decisão é revertida. Pra não ficar parando muito o jogo, basta definir um número máximo de revisões que cada treinador pode pedir. Simples!

Dá pra usar isso em todo e qualquer campeonato? Não. Mas nas competições maiores não vejo desculpa para não usar esse recurso.

Cera

Quer coisa mais irritante que os timecos que fazem 1×0 e começam a cair por qualquer besteira só pra ganhar tempo? Contem só o tempo de bola rolando! A bola saiu? Fizeram uma falta? Um jogador caiu, machucado? Substituição? Parem o cronômetro até que a bola volte a rolar.

O jogo vai ficar muito longo? Vai. Diminuam o tempo, então. 30 ou35 minutos de bola rolando devem dar mais ou menos os 45 de tempo corrido. Com isso, a cera praticamente acabaria.

Impedimento

Não sei por que isso ainda existe. Acabem com o impedimento e vai sobrar muito mais espaço no campo, aumentando o número de gols. Talvez fique esquisito, mas custa tentar? Pega um sub-17 desses, em que os moleques correm mais que a Mercedes na F1 desse ano, e testa!

Os jogadores vão se cansar muito? Provavelmente, mas isso é fácil de resolver: aumentem o número de substituições, ou até retirem o limite de substituições, sei lá!

Disputa de pênaltis

Isso pra mim sempre foi a pior coisa do futebol. Gosto mais do modelo da NFL, NBA e NHL, onde há prorrogações infinitas, até que haja desempate.

O jogo pode ficar longo demais? Pode. NBA e NFL têm jogos com muitos pontos, então é mais difícil haver muitas prorrogações seguidas. Um jogo de NFL nunca passou da segunda prorrogação porque há a tal “morte súbita”: o primeiro ponto termina o jogo. Na NBA já se chegou à sexta prorrogação porque a “morte súbita” não existe é (até porque seria injusto). Já a NHL é mais parecida com o futebol, pois as partidas têm pontuação mais baixa. Aí a coisa pode complicar um pouco. Lá, a sequência de prorrogações mais longa durou 116 minutos. É tempo pra burro! E olha que esse foi o tempo só das prorrogações, não do jogo todo.

É dureza? Sim. Mas muito mais emocionante. E novamente: os jogadores vão se cansar muito? Certamente, mas há solução pra isso, como já citei acima.

A propósito, tem uma outra solução que já vi funcionar na prática, e achei muito interessante. E essa solução eu vi — pasmem — numa das edições do infame MTV Rockgol. Nessa edição, os jogos eliminatórios começavam com a disputa de pênaltis. Isso mesmo: a disputa de pênaltis desempatava o jogo antes mesmo de ele começar. O resultado é que nunca haverá aquela situação em que os dois times ficam enrolando com a bola pra esperar o tempo passar e ir pra disputa de pênaltis, pois durante todo o jogo haverá uma equipe em desvantagem, tendo que partir pra cima. Achei muito interessante a ideia…

Resumo

Ao terminar de escrever, reli minha lista e percebi que o que me incomoda no futebol é justamente o que atrapalha o futebol, o que o impede de ser mais bonito. Futebol é bom de se ver, mas enquanto insistirem em preferir o injusto, vou continuar só assistindo. Não dá pra torcer; seria masoquismo…