As duas semanas entre o sumiço e o reencontro da Bardot

Bardot

Terça-feira, 16 de dezembro de 2014, 23h00. Caía um dilúvio em Brasília. Eu estava de plantão no trabalho, e mal sabia as agonias que as duas semanas seguintes me trariam.

Ligo para casa, avisando para darem comida para as duas cachorras (Bardot, 12 anos e Sunny, 5). Meu filho abre a porta de casa e percebe que o portão da garagem tinha sido aberto por algum fenômeno natural: curto, raio, não sabemos. Há quanto tempo? Também não sabemos. Depois de fechado, foi a hora de separar as duas cachorras, que costumam comer separadas. Mas onde está a Bardot? A família se mobilizou para procurá-la, mas nada. Bardot fugiu.

Recebo o telefone no trabalho, sem poder sair para fazer nada. O que aconteceu daí pra frente nós só ficamos sabendo mais tarde. As horas seguintes foram de buscas pelas ruas mais próximas de casa. Nada. E eu ainda no trabalho, sem saber o que fazer. Sou liberado 1h30, já sabendo que as buscas não tiveram sucesso. Vou pra casa devagar, procurando. Estaciono e resolvo dar uma volta a pé, verificando cada cantinho entre as casas. De terno. Na chuva. Mas nada de Bardot. Outra volta de carro, mas nada. A chuva continua, não dá pra ver quase nada. O jeito é dormir e voltar à busca no dia seguinte.

Na manhã seguinte não vou ao trabalho. Saio pelas ruas mais próximas, perguntado para jardineiros, piscineiros, qualquer um na rua pra ver se alguém a viu. Uma notícia: ela foi vista num conjunto próximo. Verifico tudo ao redor, mas nada. Era alarme falso, como saberíamos mais tarde.

Ao fim da manhã, depois de rodar todas as ruas mais próximas, coloco em prática o plano B: o Facebook. Ao longo das duas semanas seguintes, esse post seria compartilhado mais de 1125 pessoas. Sou muito grato a cada uma delas, apesar de não ter sido essa o caminho que nos levaria a encontrá-la.

À tarde, já no trabalho, recebo uma notícia: uma pessoa (Manuela) postou fotos dela no Facebook. A foto era dela, não havia dúvida. Consegui seu telefone, e ligo para ela aliviado. Mas o alívio durou pouco, pois ela me conta que tentou levá-la a um hospital veterinário relativamente próximo, onde foram tiradas as fotos. O problema é que o hospital não a aceitou, por não estar com o dono e por ela não estar machucada. No caminho de volta para o carro ela fugiu, pois estava sem coleira. Ainda chovia, e ela – assustada – correu e sumiu na escuridão. A Manuela não pôde fazer nada.

Ao receber a notícia, já no trabalho, pedi permissão para procurá-la no matagal próximo ao ocorrido. Eu e meu filho nos enfiamos no matagal, mas sem sucesso. Coloco uma atualização no Facebook, que foi compartilhada por 686 pessoas. Minha gratidão a esses também.

No dia seguinte entra o plano C: distribuir panfletos pelas ruas mais próximas do último lugar onde ela foi vista, o hospital que não a aceitou. Novamente, conversamos com jardineiros, piscineiros, transeuntes, etc., mas nada.

Os próximos dois dias são assim: recebemos algumas informações desencontradas nesse tempo: ela foi vista perto daqui, ela foi vista perto dali. Fazemos buscas em horários diferentes, para tentar encontrá-la andando. Encontrá-la dormindo é tarefa quase impossível, pois ela já não ouve tão bem por causa da idade. Muitas pessoas comentam no Facebook, mandam mensagens, ligam. Mas nada de concreto.

Na sexta decidimos pôr em prática o plano D: colocar faixas em locais estratégicos, com nossos telefones. Infelizmente não conseguimos ninguém para confeccioná-los. Em todos os lugares para que ligávamos, o prazo mínimo era segunda-feira. Entra em prática, então, o plano E (uma variação do plano C, na verdade): distribuir mais panfletos, nas portarias de condomínios, em comércios mais movimentados, etc. Assim é o sábado. O domingo é pra andar de carro por todo lado, procurando. Nada.

Na segunda-feira colocamos as faixas. A partir daí começam a aparecer ligações: 3 pastores encontrados aqui, outro visto ali. Corremos aos locais para verificar, mas nada de encontrar a Bardot.

Uma viagem já está marcada para a terça-feira à noite. O coração aperta, sabendo que qualquer notícia não poderia ser verificada imediatamente por estarmos longe. Já não vemos a Bardot há uma semana.

Na quarta-feira recebo muitas ligações, mas todos de cachorros que já tínhamos visto antes de sair, ou que sabíamos não ser a Bardot.

Na manhã da quinta-feira, já cansado de dar respostas negativas, uma pessoa (Cláudia) liga dizendo que encontrou o panfleto em uma pet-shop que frequentava e que estava com a Bardot. Ela não quer dar o endereço para que o jardineiro vá buscar; ela não quer tirar uma fotografia pra termos certeza de que é a Bardot; ela deixa um telefone que quase sempre cai na caixa posta. Ficamos agoniados, sem saber se ela está sendo bem tratada (o que, agora sabemos, foi o que aconteceu) ou mesmo se a informação é verdadeira.

Nessa agonia, resolvo recorrer a uma colega de trabalho, que tenta conseguir mais informações, e nos ajudou muito nessa história toda. Uma pausa para um agradecimento necessário: muito obrigado por tudo, Kátia! Nos tranquilizou muito saber que tinha alguém por perto tentando resolver. Somos muitíssimos gratos pela sua ajuda. Ela tenta de todas as maneiras, mas não consegue muita coisa: a Cláudia só quer entregar a Bardot para o dono.

Temos que esperar até o domingo, quando voltamos a Brasília e combinamos de encontrar com a Cláudia. Por motivos desconhecidos a nós, o encontro só acontece na segunda-feira, dia 29, quase duas semanas depois. Mas é ela mesma. Muito bem cuidada. Aqui uma pausa para o maior agradecimento: muito obrigado por cuidar da nossa Bardot por todo esse tempo, Cláudia.

Só então ficamos sabendo: ela foi encontrada pela Cláudia logo depois de fugir da Manuela. Era muito difícil falar com ela por causa das viagens que ela faz. E, provavelmente, o fato de ela não ter deixado ninguém pegar, nem mandar fotos, foi para ter certeza de estar entregando a Bardot para a pessoa certa. Confesso que essa dúvida de quase cinco dias foi muito agoniante, mas entendo perfeitamente os motivos dela. A Bardot foi muito bem cuidada durante esse tempo, e nos alivia muito saber que todo esse tempo ela não ficou perambulando pelas ruas, mas sendo cuidada com muito carinho.

Bom… Agora que ela já está aqui em casa, dá pra esfriar a cabeça e fazer um balanço final: se isso acontecer contigo, não demore, como eu. Mande fazer logo as faixas e distribua panfletos o máximo que puder. Se eu tivesse feito isso antes, talvez a Cláudia tivesse visto o anúncio antes, e “devolvido” a Bardot antes da nossa viagem.

O fato é que eu confiei demais na Internet, talvez por trabalhar na área de informática. É claro que é uma ferramenta poderosa, mas como a grande maioria das pessoas não a utilizam, o poder de penetração não é tão grande. O que resolveu pra nós foi uma combinação de faixas + panfletos. Ou seja: utilize todos os meios, pois não dá pra saber de antemão que tipo de pessoa encontrou seu querido cãozinho…

A foto que ilustra o post é dela já em casa, depois de toda essa confusão. Fica aqui nosso muito obrigado a todos que tentaram ajudar da forma como puderam!

P.S.: sempre reviso os textos antes de publicar, mas dessa vez vou deixar o “primeiro take”. Perdoem os eventuais erros. Até o título ficou ruim, mas tá tarde, vai ficar assim mesmo… =)

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3 comentários sobre “As duas semanas entre o sumiço e o reencontro da Bardot

  1. Claudio como torcemos pela volta dela. Gostaria de te dar uma dica,faça plaquinha de identificação para elas,com certeza mais do que faixa e cartazes ,possibilita a quem achar devolve-la

  2. Zé Cláudio, é com muita alegria que alteramos o status do desaparecimento da Bardot em nossa página no Facebook! Alegria é o menor dos sentimentos que nos contagia nesse momento.
    Lembre-se sempre de identificar seus animais, mesmo se só fiquem dentro de casa, porque, como você mesmo sentiu na pele, um belo dia o improvável acontece!
    Recomendamos que, além da plaquetinha de identificação, escreva com caneta na própria coleira do animal – dê esse presente para todos os seus animais neste Natal!
    Grande abraço,
    Ana Amélia (voluntária da ProAnima)

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