Instruções para uma boa confissão

Confissão

Em algum desses anos passados, durante um mutirão de confissões na quaresma, recebi esse folhetinho para ajudar na preparação para a confissão.

Aproveito o momento (apesar de já estar um pouco em cima da hora), para compartilhá-lo. Os grifos não são meus, mas do original. Espero que seja útil…

PRÁTICA DA PENITÊNCIA

INSTRUÇÕES PARA UMA BOA CONFISSÃO

De acordo com o Código de Direito Canônico e o Ritual da Penitência

A. O Sacramento da Penitência

  1. No sacramento da penitência, os fiéis confessam seus pecados ao ministro legítimo, arrependidos e com o propósito de se corrigirem, alcançam de Deus, mediante a absolvição dada pelo ministro, o perdão dos pecados cometidos após o batismo, e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja, à qual feriram pelo pecado.
  2. O ministro do sacramento da penitência é somente o sacerdote.
  3.  Todo fiel, depois de ter chegado à idade do entendimento, deve confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano.
  4. O sacramento da penitência divide-se em quatro partes:
    1. A contrição, que consiste na dor da alma e na detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar.
    2. A confissão das culpas, que procede do verdadeiro conhecimento de si mesmo diante de Deus, e da contrição dos pecados. A confissão deve ser precedida por um bom exame de consciência.
    3. A satisfação é a mudança de vida e reparação do dano causado. A satisfação é um remédio para o pecado e renovação de vida.
    4. A absolvição é o perdão de Deus concedido ao pecador por meio do ministro da penitência. Assim, pelo sacramento da penitência, o Pai acolhe o seu filho de volta; Cristo coloca sobre os ombros a ovelha perdida; e o Espírito Santo santifica de novo seu templo.
  5. A reconciliação dos penitentes pode ser celebrada em qualquer tempo e dia. Convém, entretanto, que os fiéis saibam em que horário o sacerdote está presente para exercer este ministério.
  6. O tempo da Quaresma é o mais apropriado para a celebração da penitência, porque desde a quarta-feira de cinzas escutamos o solene convite ao povo de Deus: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

B. Esquema para Exame de Consciência

Convém que se faça um exame de consciência antes de se aproximar do sacramento da reconciliação. Cada um medite, antes de tudo no seguinte:

  1. Eu me aproximo do sacramento da penitência com desejo sincero de purificação, conversão, renovação de vida e amizade mais profunda com Deus? Ou, pelo contrário, o considero como um fardo que se deva receber raramente?
  2. Tenho esquecido ou omitido propositadamente algum pecado grave em minhas confissões anteriores?
  3. Tenho cumprido as penitências que me foram impostas? Tenho reparado as injustiças cometidas? Tenho me esforçado por colocar em prática os propósitos de ajustar minha vida ao Evangelho?

Cada um examine sua vida à luz da Palavra de Deus.

I. O Senhor disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração” .

  1. Está meu coração voltado para Deus, a ponto de amá-lo sobre todas as coisas, como um filho a seu pai, cumprindo fielmente seus mandamentos? Ou, pelo contrário, me tenho preocupado mais com coisas terrenas? Tenho pureza de intenção em minhas obras?
  2. Tenho verdadeira fé em Deus, que nos falou por intermédio de seu Filho? Tenho aderido com firmeza à doutrina da Igreja? Tenho me preocupado em adquirir a instrução cristã, ouvindo a Palavra de Deus, participando da catequese, evitando o que atenta contra a fé? Tenho professado sempre com coragem e destemor a fé em Deus e na Igreja? Tenho me portado como cristão na vida pública e particular?
  3. Tenho feito as orações da manhã e da noite? A minha oração é um verdadeiro diálogo com Deus ou apenas um ritual externo? Tenho oferecido a Deus os trabalhos, alegrias e sofrimentos? Tenho recorrido a ele nas tentações?
  4. Tenho demonstrado reverência e amor pelo nome de Deus, ou tenho ofendido a Deus com blasfêmias, juramentos falsos ou falta de respeito? Tenho desrespeitado a Virgem Maria ou os Santos?
  5. Tenho honrado o dia do Senhor e os dias santificados, participando das reuniões litúrgicas sobretudo da missa, de maneira ativa, piedosa e atenta? Tenho observado o preceito da confissão anual e da comunhão pascal?
  6. Tenho talvez outros deuses, como riquezas, as superstições, o espiritismo, ou a macumba, confiando neles mais do que em Deus?

II. O Senhor disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

  1. Tenho verdadeiro amor ao meu próximo, ou tenho abusado de meus irmãos, utilizando-os para meu proveito pessoal e fazendo a eles o que não desejo para mim mesmo? Tenho sido para eles causa de grave escândalo com minhas palavras ou ações?
  2. Tenho contribuído para o bem e a alegria dos demais membros da minha família, pela paciência e o amor sincero? Tenho sido obediente aos meus pais, respeitando-os e ajudando-os em suas necessidades materiais e espirituais? Tenho me preocupado pela educação cristã de meus filhos, ajudando-os com o bom exemplo e autoridade paterna? Tenho sido fiel a meu esposo ou esposa em meus desejos e relações com os outros?
  3. Tenho dividido os meus bens com os mais pobres do que eu? Tenho feito o possível para defender os oprimidos, socorrer os necessitados e ajudar os pobres? Ou, pelo contrário, tenho desprezado o próximo, sobretudo os pobres, os doentes, os anciãos, os estrangeiros e os homens de outra raça?
  4. Tenho me lembrado da missão recebida na confirmação? Tenho participado das obras de apostolado e caridade da Igreja e da paróquia? Tenho prestado minha ajuda à Igreja e ao mundo e rezado pelas suas necessidades, como, por exemplo, a união dos cristãos, a evangelização dos povos e o reinado da paz e da justiça etc.?
  5. Tenho me preocupado com o bem e o progresso da comunidade em que vivo, ou somente com minhas vantagens pessoais? Tenho participado, de acordo com minhas possibilidades, na promoção da justiça, da honestidade dos costumes, da concórdia, da caridade e tenho cumprido meus deveres cívicos? Tenho pago os impostos?
  6. Tenho sido justo, responsável e honesto em meu trabalho ou profissão, servindo com amor a sociedade? Tenho remunerado os operários e aqueles que servem, com justo salário? Tenho cumprido meus compromissos e contratos?
  7. Tenho obedecido às autoridades constituídas e as respeitado?
  8. Uso meus cargos ou autoridade para meu interesse pessoal ou para o bem dos outros?
  9. Tenho sido leal e verdadeiro? Ou tenho prejudicado os outros com palavras falsas, calúnias, detrações, juízos temerários, violação de segredo?
  10. Tenho prejudicado a vida, integridade física, fama, honra ou bens do próximo? Tenho aconselhado ou praticado aborto? Tenho odiado o próximo? Tenho me afastado do próximo por desentendimento, inimizade, ou injúrias? Tenho me recusado, por culpa ou egoísmo, a dar testemunho da inocência do próximo?
  11. Tenho roubado, prejudicado ou desejado injustamente os bens do próximo? Tenho procurado restituir o alheio e reparar o dano?
  12. Tenho estado pronto para perdoar ou fazer as pazes, por amor de Cristo? Ou tenho guardado ódio ou desejos de vingança?

III. O Senhor Jesus Cristo diz: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.

  1. Qual é a orientação fundamental de minha vida? Estou animado pela esperança da vida eterna? Tenho me esforçado por progredir na vida espiritual, por meio da oração,da leitura da Palavra de Deus, da participação nos Sacramentos e na mortificação? Estou disposto a reprimir os vícios, as más inclinações e paixões, como a inveja e a gula? Tenho sido soberbo e vaidoso, menosprezando os demais e julgando-me superior a eles? Tenho sido presunçoso diante de Deus? Tenho imposto aos demais minha vontade, sem respeitar a liberdade e os direitos alheios?
  2. Que uso tenho feito do tempo, das forças e dos dons recebidos de Deus como os “talentos do Evangelho”? Tenho feito uso destas coisas para buscar a perfeição, ou tenho sido ocioso e preguiçoso?
  3. Tenho suportado com paciência as dores e contrariedades da vida? Como tenho mortificado meu corpo para completar “o que falta à paixão de Cristo”? Tenho observado a lei da abstinência e do jejum?
  4. Tenho cuidado de meus sentidos, guardando meu corpo casto como templo do Espírito Santo, destinado à ressurreição e à glória, e como sinal do amor que Deus tem pelo homem e a mulher, simbolizado plenamente no sacramento do matrimônio? Tenho manchado meu corpo com más ações, palavras e pensamentos impuros? Tenho consentido em maus desejos? Tenho-me entregue a leituras, conversações, espetáculos e diversões desonestas? Tenho sido causa, com meu exemplo, do pecado dos outros? Tenho observado a lei moral no uso do matrimônio?
  5. Tenho agido contra minha consciência por temor ou hipocrisia?
  6. Tenho procurado agir sempre na verdadeira liberdade dos filhos de Deus, segundo a lei do Evangelho, ou tenho sido escravo de minhas paixões?

C. Rito da Penitência

O penitente se aproxima para confessar os pecados e, juntamente com o sacerdote, faz o sinal da cruz, dizendo:

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

O sacerdote exorta o penitente à confiança em Deus com estas palavras ou outras semelhantes:

O Senhor esteja em teu coração, para que arrependido(a), confesses os teus pecados.

O penitente responde: Amém.

O penitente confessa os seus pecados.

Em seguida, a convite do sacerdote, o penitente faz o ato de contrição, com estas palavras ou outras semelhantes:

Senhor, eu me arrependo sinceramente de todo o mal que pratiquei e do bem que deixei de fazer. Pecando, eu vos ofendi, meu Deus, sumo bem, digno de ser amado sobre todas as coisas. Prometo firmemente, ajudado(a) por vossa graça, fazer penitência, não mais pecar e fugir às ocasiões de pecado. Senhor, tende piedade de mim, pelos méritos da paixão de nosso Salvador, Jesus Cristo.

O Sacerdote, com as mãos estendidas sobre a cabeça do penitente (pelo menos a mão direita), diz a fórmula da absolvição, conforme se encontra no Ritual da Penitência.

Depois da absolvição, o sacerdote diz:

Dai graças ao Senhor, porque ele é bom.

O penitente responde:

Porque a sua misericórdia é eterna.

O sacerdote despede o penitente reconciliado, dizendo:

O Senhor perdoou os teus pecados. Vai em paz.

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