Nestlé explica a diferença entre preços de ovos de páscoa e barras de chocolate

Páscoa

Essa imagem já está rolando há algum tempo no Facebook, mas como não vi ninguém explicar por que isso acontece, então eu, um mero amador em Economia, vou tentar…

Resposta curta

Porque as pessoas pagam.

Resposta não tão curta

Vou tentar demonstrar a resposta curta, acima, utilizando um exemplo:

Suponha que você tenha comprado um novo aparelho de som para sua casa, que lê MP3, acessa arquivos remotos via wi-fi, etc. Você quer manter em casa aquele aparelho de som velho (isso é que é som!), enorme, que te proporcionou vários momentos memoráveis, mas que infelizmente só lê CDs (que ele demora séculos pra reconhecer, quando reconhece). Mas não dá pra ficar com ele, pois sua casa ficaria apertada demais. Então, com o coração partido, você decide que é hora de vendê-lo. “É um som de altíssima qualidade, e certamente vão me pagar uma boa grana por ele”, pensa.

Você anuncia em vários sites na internet, colocando o preço que você acha que ele vale e destacando todas as inúmeras qualidades desse som maravilhoso, e aguarda os comentários dos compradores. Passam-se algumas horas e nada. “Não devem ter visto direito”. Mais umas tantas horas, e finalmente aparece um e-mail, informando que alguém fez uma pergunta no seu anúncio. Você vai correndo até o site e lê: “aceita troca por um Game Cube?” Você fica indignado! Como assim? Não tem nem como comparar! Meu som vale muito mais que esse pedaço de plástico velho! Se acalma e resolve responder com um educado “infelizmente não estou aceitando trocas.” Mais algumas horas e mais uma pegunta aparece, dessa vez oferecendo um terço do preço do anúncio. “Tá brincando com a minha cara, né?”

Passam-se alguns dias, e nada além dessas perguntas “de quem não entende nada de som de qualidade”. Frustrado, você se pergunta: “por que não estou conseguindo vender?”

Chegamos, então, à resposta curta. Mais especificamente à sua negativa: “porque as pessoas não pagam”. E se não pagam, que opções você tem? Basicamente, três:

1) diminuir o preço;

2) doar para um amigo que “realmente entende de som”;

3) desistir de vender.

(note que na verdade são apenas duas opções, pois a opção 2 é apenas o limite da opção 1: diminuir o preço para zero)

Voltando ao exemplo do ovo de páscoa, perceba que a opção 2 simplesmente não serve ao fabricante (ele fabrica para ganhar dinheiro, não para agradar os amigos), e a opção 3 só serve em caso de desespero absoluto. Portanto, se as pessoas não pagam por um produto, a única solução do fabricante é a 1: diminuir o preço.

Note que não é necessário saber o motivo de as pessoas não pagarem: talvez um concorrente esteja vendendo ovos de qualidade parecida com um preço bem melhor, ou talvez as pessoas tenham mudado de mentalidade e agora preferem fazer seus ovos em casa a partir de barras derretidas, mas não importa! Se eu não consigo vender um produto industrializado, a única maneira é diminuir o preço (tá, você também tem a opção de tentar convencer as pessoas que elas devem pagar o preço que eu estabeleci, mas não vou tratar desse assunto pro texto não ficar comprido demais).

São os compradores que dão valor às mercadorias, não os vendedores. Se elas dão mais valor a outras mercadorias (sejam quais forem), não vão comprar a sua!

Para deixar o exemplo dos ovos de páscoa ainda mais claro, tente imaginar alguém vendendo ovos de páscoa num país muçulmano. Não venderia nada, pois lá não se comemora a Páscoa, e dificilmente as pessoas pagariam mais de 6 vezes o valor de um produto só pelo fato de ele estar em um formato oval. Em outras palavras, lá as pessoas não dão a ovos de chocolate o mesmo valor que as pessoas dão aqui.

Portanto, se aqui o vendedor consegue vender ovos a R$ 50, a explicação é essa: porque as pessoas dão valor ao fato de o chocolate vir em forma de ovo, e por isso pagam por ele. Por isso, falar em “preço justo” nesse caso não faz sentido, pois ninguém é forçado a comprar um ovo de páscoa. A compra é um ato livre, e quem não quer comprar não compra! Se você quer o produto tão desesperadamente, então pague o preço que pedem por ele. Se não quer, não pague e pronto. É simples assim, acredite. Eu duvidei e li bastante sobre o assunto, pra no final apenas comprovar que essa resposta ridiculamente simples é verdadeira. Se você — como eu — ficou curioso pelo assunto, divirta-se com respostas mais longas, abaixo.

(há também a questão da época: dificilmente alguém conseguiria vender ovos de páscoa na época do Natal pelo mesmo preço praticado na Páscoa, mas isso fica como dever de casa) 😉

Resposta longa

A partir daqui eu vou apelar para links externos, pois seria muita coisa pra colocar num único artigo. E também porque, como não estudei Economia a fundo, não sou a melhor pessoa para explicar. Deixemos para os profissionais, então…

Você encontrará resposta de forma bem didática aqui: Dez lições de economia austríaca para iniciantes

É uma resposta resumida, mas a explicação me foi útil não somente para estes casos, mas para quase tudo o que vejo por aí sobre valor e preço. Essa série de artigos realmente me fez enxergar direito como funciona o mercado, e depois dela ficou muito mais fácil entender por que as coisas são como são.

A questão dos preços aparece especificamente na aula 4, mas não recomendo pular as outras aulas porque elas têm conceitos importantes (escassez, valor, etc.) que farão falta pra que você entenda adequadamente a explicação. Mas se o tempo for um fator realmente desesperador, então leia só essa parte mesmo. É melhor que não ler nada. 😉

Resposta completa

Lembro que o “curso” acima é um mero resumo. Se você quiser entender bem de Economia — e isso vale para qualquer assunto, claro –, o remédio é ler muito. Nesse ponto, a biblioteca do Instituto Mises Brasil é um prato cheio. E tudo o que está lá é de graça; você só não vai aprender se não quiser.

Aproveite para ler também alguns artigos. A vantagem é que você pode fazer perguntas, e o pessoal sempre responde, até bem rápido.

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