“Adote um bandido”

Todos já viram a opinião da Rachel Sheherazade sobre o caso do rapaz que amanheceu preso a um poste com uma tranca de bicicleta no pescoço, né? Pra quem não viu, o vídeo é esse aqui:

Tenho visto alguma confusão por aí (em alguns casos proposital, em alguns casos não) a respeito da última frase do vídeo: “adote um bandido”. É que diante da descoberta que os tais justiceiros também eram bandidos, tenho visto alguns pedirem para a Sheherazade adotá-los. Meu objetivo aqui é mostrar que isso não faz o menor sentido. E só. Não estou aqui pra defender nem a Sheherazade, nem o bandido, nem muito menos os bandidos-justiceiros. Só quero explicar o que muita gente parece não entender (ou não querer entender): que não faz sentido devolver o “adote um bandido” para a Sheherazade.

Pra começar: “adote um bandido”… O que isso significa?

Bom… Essa frase se refere a essa mania irritante que a esquerda tem de não querer punir bandidos, de achar que eles são “vítimas do sistema”, que fazem o que fazem por “não ter opção”, etc., como se todo pobre fosse bandido, o que está longe, muuuuito longe de ser verdade. Se a grande maioria dos pobres optasse pela bandidagem, eu até avaliaria a tese, mas a mera observação da realidade já trata de demolir esses “argumentos” (que nada têm de argumentos, mas de ideologia), então pra que me dar o trabalho?

Outros papos que rapidamente aparecem são os de que “o sistema penitenciário é uma fábrica de bandidos” (como se a realidade não fosse o inverso – eles não entram bonzinhos e saem bandidos, eles já entram bandidos), ou que “o sistema penitenciário não recupera os presos”, como se esse fosse o objetivo das penitenciárias. Mas não é! O próprio nome já dá a dica: “penitenciária” vem de “penitência”, ou seja: pena, castigo. É desejável que o sistema penitenciário recupere os presos? Certamente! Mas é esse não o objetivo principal! O objetivo é manter os cidadãos pacíficos a salvo dos bandidos.

E é justamente aí que entra o “adote um bandido”: se a esquerda defende a tese estapafúrdia de que o bandido tem que ser “recuperado” ao invés de ser preso (olhem a falsa dicotomia: por que “um ou outro”, e não “um e outro”?), então tem a obrigação de prover essa recuperação. Como o estado obviamente não tem essa capacidade (nem ao menos vontade), então que cada esquerdista cumpra seu papel e adote um bandido para recuperá-lo.

E é aí que a tentativa de devolver o “adote um bandido” para a Sheherazade falha miseravelmente: ela não defende essa ideia de recuperação de bandidos, mas apenas que sejam presos, e portanto ela não tem obrigação nenhuma de adotar bandidos.

O “adote um bandido” é um chamado à coerência: quem quer que bandidos sejam recuperados ao invés de presos que aja de acordo! Quem não quer – como é o caso da Sheherazade – não tem nada com isso.

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