Antiamericanismo

Saio pra fazer compras e dou de cara com isso aqui no estacionamento do supermercado:

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O carro está “estacionado”, sem ninguém dentro. Perceba os limites da vaga e tente enxergar o “PARE” no chão pra dar uma ideia melhor.

Eu, que cheguei há menos de uma semana dos EUA, “contaminado” pela ordem que sempre vejo por lá, começo a refletir sobre a situação… Esse é o tipo de coisa que você simplesmente não vê por aquelas terras. E olha que eu acabei de ir pra Las Vegas, talvez a cidade mais porra-louca (os mais sensíveis que me desculpem, mas não achei um termo mais exato) dos EUA, onde se vê de tudo pelas ruas.

Aliás, tudo não. Quase tudo. Carro estacionado desse jeito você não vê. Gente enfiando o carro na sua frente a todo momento também não (se eu não fosse adepto da – aqui – indispensável “direção defensiva” era batida todo dia). E todos os dias vemos essa falta de respeito pelo próximo várias vezes ao dia, e não só no trânsito.

Outro exemplo: lá, quando você pega um voo de conexão, onde quase todos os passageiros são americanos, ao desembarcar, todos esperam que você levante e pegue as suas coisas no compartimento de bagagem. Só depois saem. No voo pro Brasil, onde a maioria é de brasileiros, neguinho te empurra pra passar na sua frente. E obviamente não é gente pobre não, pois estes não tem condição de fazer esse tipo de viagem. É gente com grana, muito provavelmente “educada” nas nossas melhores escolas. Nossa “elite”.

Eu teria inúmeros outros exemplos para dar, mas esses já bastam pra dar uma ideia.

Nesse momento de reflexão eu acabei lembrando dos (poucos) amigos que são antiamericanos. De longe, a principal alegação é que eles são arrogantes, se acham o centro do universo, acham que podem tudo. De onde vem essa ideia? Talvez seja uma “ampliação indevida” da política externa do país (que muitas vezes se mete onde não é chamado), estendida a todos os cidadãos americanos, não sei. Se for, é uma estupidez sem tamanho. Mas o motivo não é importante. O fato é que quem pensa assim certamente nunca foi pra lá; nunca passou alguns dias convivendo com americanos. Ou se passou tem um sério problema de paralaxe cognitiva, pois a diferença é gritante.

O fato é que eu olho para os passageiros brasileiros, lembro dos americanos e me pergunto: quem é arrogante? Tomo uma fechada de um motorista brasileiro (coisa que acontece todos os dias, frequentemente mais de uma vez por dia), me lembro que não aconteceu isso nenhuma vez nos EUA e me pergunto: quem se acha o centro do universo? Olho para a foto acima, me lembro dos carros perfeitamente estacionados nos EUA, seja em que estacionamento for: do hotel mais caro da cidade mais porra-louca ao mercado mais humilde da menor cidade (passei também por Big Bear Lake, uma cidadezinha de 5 mil habitantes) e me pergunto: quem acha que pode tudo?

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