Radical

Na homilia de hoje (Mt 4,12-23), o padre relembrou a necessidade de “morrermos” durante a conversão. Ele lembrou que Jesus prometeu a Pedro que ele seria um “pescador de homens”, mas também que o peixe, depois de pescado, morre. E se o peixe não morre, o trabalho do pescador foi inútil (naquela época não havia pesca esportiva). Assim, ele fez a ligação com o “homem velho” e o “homem novo” de Ef 4,20-24, ou o “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” de Jo 3,3.

O que se deduz disso é que se é necessário que o “homem velho” morra para que apareça um “homem novo”, e isso significa que não dá pra conciliar os dois. Dessa forma, não é possível se dizer cristão, e continuar agindo como o “homem velho”. Se eu continuo com as mesmas manias e vícios de antes, isso é sinal de que minha conversão ainda não foi completa. (É claro que a conversão não é algo que acontece do dia para a noite, e portanto é um caminho a ser trilhado, não um limite a ser alcançado, mas isso já é outro assunto.)

O fato é que daí se deduz que a conversão tem que ser algo radical: o cristão deve ser radical em relação à sua própria salvação e à do próximo. Se ele não mudou sua cabeça radicalmente, não se converteu. (Já até vejo a testa franzida de muita gente que se assusta quando vê essa palavra. Afinal, hoje em dia a palavra “radical” é radicalmente proibida, né? Pena que poucos percebam a contradição…)

Poucos se oporão ao fato de que um cristão tem o direito de lutar radicalmente pela própria salvação, então vamos ao segundo ponto: a luta radical pela salvação dos outros. Isso significa que eu devo sair por aí enfiando minhas crenças nos outros na marra, goela abaixo? Claro que não. Um cristão tem que entender que todos recebemos o livre-arbítrio, e que portanto estamos livres para ir para o lado que quisermos. Um cristão cujo objetivo é converter os outros na marra não entendeu absolutamente nada do cristianismo… Nesse sentido, ser radical é denunciar radicalmente as imoralidades que vê, mas sem querer mudar os outros à força, ou seja: lembrando que quem quiser mudar que mude por conta própria. Oferecer apoio a quem quer mudar é essencial, mas só a quem quer mudar.

Um exemplo simples: esclarecer as pessoas sobre o absurdo que é o aborto. Isso é um dever cristão de hoje! Como a humanidade está falhando em perceber a patente imoralidade do aborto, os cristãos não podem ficar quietos diante disso sem fazer nada! Não é isso o que se espera de um cristão!

Então, amigo cristão, não tenha medo de ser radical. Pelo contrário: entenda de uma vez por todas que ser radical é uma característica imprescindível do cristão, conforme São João nos diz em Ap 3,16.

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