Primeira Epístola aos Coríntios

Capítulo Versículos Trecho
1 1-9 Endereço e saudação. Ação de graças Preâmbulo
10-16 As divisões entre os fiéis I. Divisões e escândalos 1. Os partidos na igreja de Corinto
17-31 Sabedoria do mundo e sabedoria cristã
2 1-16
3 1-4
5-17 A verdadeira função dos pregadores
18-23 Conclusões
4 1-13
14-21 Admoestações
5 1-13 2. O caso de incesto
6 1-11 3. A apelação aos tribunais gentios
12-20 4. A fornicação
7 1-40 II. Soluções para problemas diversos 1. Casamento e virgindade
8 1-6 O aspecto teórico 2. As carnes sacrificadas aos ídolos
7-13 O ponto de vista da caridade
9 1-27 O exemplo de Paulo
10 1-13 O ponto de vista da prudência e as lições do passado de Israel
14-22 As refeições sagradas. Não pactuar com a idolatria
23-30 As carnes sacrificadas aos ídolos. Soluções práticas
31-33 Conclusão
11 1
2-16 A conduta dos homens e das mulheres 3. A boa ordem nas assembleias
17-34 A “Ceia do Senhor”
12 1-3 Os dons do Espírito ou “carismas”
4-11 Diversidade e unidade dos carismas
12-30 Comparação do corpo
31 A hierarquia dos carismas. Hino à caridade
13 1-13
14 1-25 Hierarquia dos carismas em vista do bem comum
26-40 Os carismas. Regras práticas
15 1-34 O fato da ressurreição III. A ressurreição dos mortos
35-53 O modo da ressurreição
54-58 Hino triunfal e conclusão
16 1-24 Recomendações, saudações, desejo final Conclusão

Fonte: Bíblia de Jerusalém.

Antiamericanismo

Saio pra fazer compras e dou de cara com isso aqui no estacionamento do supermercado:

image

O carro está “estacionado”, sem ninguém dentro. Perceba os limites da vaga e tente enxergar o “PARE” no chão pra dar uma ideia melhor.

Eu, que cheguei há menos de uma semana dos EUA, “contaminado” pela ordem que sempre vejo por lá, começo a refletir sobre a situação… Esse é o tipo de coisa que você simplesmente não vê por aquelas terras. E olha que eu acabei de ir pra Las Vegas, talvez a cidade mais porra-louca (os mais sensíveis que me desculpem, mas não achei um termo mais exato) dos EUA, onde se vê de tudo pelas ruas.

Aliás, tudo não. Quase tudo. Carro estacionado desse jeito você não vê. Gente enfiando o carro na sua frente a todo momento também não (se eu não fosse adepto da – aqui – indispensável “direção defensiva” era batida todo dia). E todos os dias vemos essa falta de respeito pelo próximo várias vezes ao dia, e não só no trânsito.

Outro exemplo: lá, quando você pega um voo de conexão, onde quase todos os passageiros são americanos, ao desembarcar, todos esperam que você levante e pegue as suas coisas no compartimento de bagagem. Só depois saem. No voo pro Brasil, onde a maioria é de brasileiros, neguinho te empurra pra passar na sua frente. E obviamente não é gente pobre não, pois estes não tem condição de fazer esse tipo de viagem. É gente com grana, muito provavelmente “educada” nas nossas melhores escolas. Nossa “elite”.

Eu teria inúmeros outros exemplos para dar, mas esses já bastam pra dar uma ideia.

Nesse momento de reflexão eu acabei lembrando dos (poucos) amigos que são antiamericanos. De longe, a principal alegação é que eles são arrogantes, se acham o centro do universo, acham que podem tudo. De onde vem essa ideia? Talvez seja uma “ampliação indevida” da política externa do país (que muitas vezes se mete onde não é chamado), estendida a todos os cidadãos americanos, não sei. Se for, é uma estupidez sem tamanho. Mas o motivo não é importante. O fato é que quem pensa assim certamente nunca foi pra lá; nunca passou alguns dias convivendo com americanos. Ou se passou tem um sério problema de paralaxe cognitiva, pois a diferença é gritante.

O fato é que eu olho para os passageiros brasileiros, lembro dos americanos e me pergunto: quem é arrogante? Tomo uma fechada de um motorista brasileiro (coisa que acontece todos os dias, frequentemente mais de uma vez por dia), me lembro que não aconteceu isso nenhuma vez nos EUA e me pergunto: quem se acha o centro do universo? Olho para a foto acima, me lembro dos carros perfeitamente estacionados nos EUA, seja em que estacionamento for: do hotel mais caro da cidade mais porra-louca ao mercado mais humilde da menor cidade (passei também por Big Bear Lake, uma cidadezinha de 5 mil habitantes) e me pergunto: quem acha que pode tudo?

Radical

Na homilia de hoje (Mt 4,12-23), o padre relembrou a necessidade de “morrermos” durante a conversão. Ele lembrou que Jesus prometeu a Pedro que ele seria um “pescador de homens”, mas também que o peixe, depois de pescado, morre. E se o peixe não morre, o trabalho do pescador foi inútil (naquela época não havia pesca esportiva). Assim, ele fez a ligação com o “homem velho” e o “homem novo” de Ef 4,20-24, ou o “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” de Jo 3,3.

O que se deduz disso é que se é necessário que o “homem velho” morra para que apareça um “homem novo”, e isso significa que não dá pra conciliar os dois. Dessa forma, não é possível se dizer cristão, e continuar agindo como o “homem velho”. Se eu continuo com as mesmas manias e vícios de antes, isso é sinal de que minha conversão ainda não foi completa. (É claro que a conversão não é algo que acontece do dia para a noite, e portanto é um caminho a ser trilhado, não um limite a ser alcançado, mas isso já é outro assunto.)

O fato é que daí se deduz que a conversão tem que ser algo radical: o cristão deve ser radical em relação à sua própria salvação e à do próximo. Se ele não mudou sua cabeça radicalmente, não se converteu. (Já até vejo a testa franzida de muita gente que se assusta quando vê essa palavra. Afinal, hoje em dia a palavra “radical” é radicalmente proibida, né? Pena que poucos percebam a contradição…)

Poucos se oporão ao fato de que um cristão tem o direito de lutar radicalmente pela própria salvação, então vamos ao segundo ponto: a luta radical pela salvação dos outros. Isso significa que eu devo sair por aí enfiando minhas crenças nos outros na marra, goela abaixo? Claro que não. Um cristão tem que entender que todos recebemos o livre-arbítrio, e que portanto estamos livres para ir para o lado que quisermos. Um cristão cujo objetivo é converter os outros na marra não entendeu absolutamente nada do cristianismo… Nesse sentido, ser radical é denunciar radicalmente as imoralidades que vê, mas sem querer mudar os outros à força, ou seja: lembrando que quem quiser mudar que mude por conta própria. Oferecer apoio a quem quer mudar é essencial, mas só a quem quer mudar.

Um exemplo simples: esclarecer as pessoas sobre o absurdo que é o aborto. Isso é um dever cristão de hoje! Como a humanidade está falhando em perceber a patente imoralidade do aborto, os cristãos não podem ficar quietos diante disso sem fazer nada! Não é isso o que se espera de um cristão!

Então, amigo cristão, não tenha medo de ser radical. Pelo contrário: entenda de uma vez por todas que ser radical é uma característica imprescindível do cristão, conforme São João nos diz em Ap 3,16.