Médicos cubanos

Muito se tem falado esses dias a favor e contra a chegada dos médicos cubanos. Eu sou contra a forma com que isso está sendo feito, por alguns motivos bastante óbvios, entre eles:

  • Os cubanos não terão liberdade: serão escravos de Cuba e da profissão. Não terão o direito de qualquer pessoa livre, de mudar de carreira para receber mais em outra mais promissora, ou de trazer sua família para morar aqui. Escravos, portanto.
  • O pagamento direto a Cuba deixa claro que essa “importação” de médicos é só uma fachada, uma maneira de fazer com que Cuba não imploda por falta de dinheiro, fim inevitável de qualquer país comunismo, como já demonstrado por Ludwig von Mises.
  • A isenção de fazer o Revalida é claramente outra fachada: os números históricos mostram a reprovação de médicos cubanos é de mais de 90%. Alguns falam que demoraria demais, mas se a situação está assim há tanto tempo e ninguém fez nada até agora, por que essa sangria desatada só agora?
  • A alta taxa de reprovação no Revalida faz crer que os médicos cubanos não estão à altura dos médicos brasileiros, e portanto são justamente os mais pobres que sofrerão na mão de médicos que demonstram não ter capacidade para exercer a profissão.

Mas os motivos são tão óbvios que nem é por isso que escrevo. O que está me chamando a atenção é que para defender a “importação” de médicos estão aparecendo as mais escabrosas contradições:

  • Justificativas estapafúrdias, como a de que Veja em 1999 apoiou a vinda de médicos cubanos, no governo FHC. Mas afinal, a opinião de Veja vale alguma coisa ou não? É pra concordar ou discordar? Da Veja de hoje ou da de 1999? Afinal, o que FHC fez foi bom ou ruim? Se foi bom, por que não bateram palmas na época? Se foi ruim, por que defender a mesma bandeira hoje?
  • Esse é realmente o Partido dos Trabalhadores? Dizem que dão valor às leis trabalhistas e ao povo cubano, mas quando um cubano vem para cá não tem direito às leis trabalhistas? Diante essa situação, só vejo duas opções: ou eles acham que as leis trabalhistas não prestam, ou que o povo cubano é uma classe inferior.
  • Afinal, eles condenam ou não a “mais-valia” (argh!)? Afinal, não ficam indignados com o lucro de 90% que o empresário Fidel está recebendo! 90%! Me mostrem um único capitalista que consiga receber mais de 20% de lucro em seus serviços sem ser chamado de explorador!
  • São defensores da igualdade ou não? Se são, deveriam em primeiro lugar se preocupar com o valor pago aos médicos. Rumores dizem que o valor será em torno de R$ 1000. Por que não pagar o mesmo que qualquer médico brasileiro recebe? O fato é que teremos dois médicos trabalhando lado a lado, um recebendo muito mais que o outro. Repito a pergunta: por acaso o povo cubano é uma classe inferior para ter que se sujeitar a isso?
  • E o melhor: gente que nunca precisou ser atendida pelo SUS reclamando que quem nunca precisou ser atendido pelo SUS não sabe de nada. (então cala a boca, oras!)
  • Alguns dizem que é um avanço para os médicos, pois é melhor ganhar R$ 1000 aqui que US$ 30 em Cuba. Certamente. Mas então você está concordando que a vida em Cuba é miserável? Então por que defender Cuba com unhas e dentes?
  • Esse pessoal realmente se preocupa com os pobres? Claro que não! Afinal, sem o Revalida, quem garante que o cara é competente? Mais ainda: quem garante que ele é realmente médico? Ah, mas quem vai sofrer com isso são os pobres, mesmo, então pra eles não faz diferença. Pra eles é fácil, pois quando tiverem algum problema de saúde é só dar um pulinho ali no Sírio-Libanês que tá beleza. Haja hipocrisia…
  • Como o CFM é contra, eles chamam de “elitistas”. Mas como? O CFM é uma entidade de classe, e estas, assim como os sindicatos, não são estimuladas e adoradas por eles? Não dizem que é preciso criar estruturas para defender as classes? Então por que criticar quando fazem eles se defendem?
  • Se o problema é realmente resolver o problema da saúde, então vamos fazer o seguinte: paga-se R$ 5000 direto para cada médico cubano, e o projeto sai pela metade do preço! Mas aí eles não querem. Só querem se forem escravos que recebem indiretamente… Ou seja: fica claro que não estão minimamente preocupados com o problema da saúde, apenas com o companheiro Fidel.
  • Quem pensa nos cubanos, que perderão 4 mil médicos? Alguém já se perguntou se eles não farão falta lá em Cuba?
  • Por último: alguns estão dizendo que ser contra a vinda de médicos cubanos é “xenofobia”. Não senhores! Não sou contra a vinda de médicos cubanos. Sou contra regras diferentes para médicos cubanos. Se querem vir, que venham, mas fazendo o Revalida e recebendo dinheiro diretamente, como todos os outros. Como escravos não! Sou contra o senhor de engenho Fidel, não contra os cubanos. Xenofóbico é o governo brasileiro, que pagará menos a eles que aos demais médicos; que não dará aos cubanos os mesmos direitos que dá aos demais médicos.

E essas são só as que eu tô me lembrando agora. E vai sempre ser assim, pois a única maneira de defender o indefensável é com inconsistências lógicas. Isso tudo é profundamente imoral, só não vê quem não quer.

Então faça o seguinte: tenha vergonha na cara e assuma logo que quer que o governo brasileiro mande dinheiro para Cuba! É mais digno.

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O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota

OMinimoQueVocePrecisaSaberParaNaoSerUmIdiota[1]

Esse é o título do novo livro de Olavo de Carvalho, organizado por Felipe Moura Brasil.

“Ah, que bom! Uma crítica ao livro!” Não. Não é isso que eu quero fazer, até porque o livro ainda nem chegou aqui em casa, apesar de eu já ter feito a compra durante a pré-venda.

O que está me chamando a atenção é a quantidade de pessoas ofendidas com o título do livro, como se ele sugerisse que quem não leu o livro é um idiota. Para as pessoas que dizem isso, vejo duas opções: ou estão tentando um tipo de ad hominem para desqualificar o livro sem precisar lê-lo, ou estão dando a prova de que realmente são idiotas, pois não têm capacidade de fazer a interpretação correta de um texto de 11 palavras. Afinal, o título não diz isso.

E o que o título diz? Obviamente, que o livro contém “o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, ou seja: que ele contém lições capazes de transformar um idiota em um não-idiota. Com isso ele se auto-proclama a única maneira de não ser um idiota? Claro que não! Por isso, quem não leu o livro não é necessariamente um idiota, pois pode ter chegado ao conhecimento de todas as lições contidas no livro por outro meio que não seja a leitura do mesmo.

Emblematicamente, percebe-se que no fim das contas, o livro será de pouca valia para as pessoas que acham que o título do livro é um xingamento. Afinal, vejamos as duas opções que citei acima: se se trata de um ad hominem, isso significa que a pessoa não tem interesse algum em aprender algo com o livro, apenas de difamá-lo. Portanto, ler será inócuo. Por outro lado, se não consegue interpretar o título do livro, dificilmente será capaz de interpretar as 616 páginas que o compõem.

Conclusão: só leia se realmente achar que talvez você seja um idiota. Como é o meu caso, já encomendei o meu.