Pronunciamento

Pois é… Como é que uma criatura que se farta com cartões corporativos protegidos por sigilo, que não move uma palha pra acabar com as votações secretas e que faz questão de esconder seus gastos no exterior me vem falar de “transparência”. Imagine você, leitor, com um cartão nas mãos, cuja conta você não precisará pagar, protegido por sigilo absoluto. Agora imagine um político. Do PT.

E de que adianta investir mais uns tantos milhões nessa doutrinação marxista travestida de educação, que produz um gado uniforme, todos pensando do mesmo jeito, e ainda jurando que os manipulados são os outros? Que vão pras ruas pedir o fim da corrupção, como se quem rouba fosse ficar sensibilizado por isso e parar de roubar. Por favor! Quem dá a melhor educação no Brasil (e isso não significa necessariamente que seja boa)? Escolas privadas! Quer educação de verdade? Use esse dinheiro para dar bolsas pros mais pobres estudarem nas escolas privadas. Isso, sim, os ajudaria. Não jogar mais dinheiro em um investimento que já sabemos que não funciona, e enquanto isso pagar uma escola privada pro seu filho, já que você não é besta…

Se o transporte público (geralmente um monopólio criado pelo próprio Estado) é ruim, por que não abrir para que concorrentes entrem? Permitam os donos das tais “vans piratas” entrarem no jogo e cobrarem o preço que quiserem, e você verá os preços caindo. E de quebra mais possibilidades de o mais pobre ganhar dinheiro (seja comprando uma van ou dirigindo). Mas é o próprio Estado que impede a concorrência, beneficiando os donos dos monopólios de transportes. Foi ele mesmo que criou o problema, só pra depois vir resolvê-lo. E os cegos batem palmas pros governadores e prefeitos que baixaram as tarifas, sem perceber que continuarão pagando o mesmo preço, só que não diretamente. E que o monopolista, dono da empresa de transporte, continuará recebendo a grana dele, do mesmo jeitinho que antes, só que diretamente do governo.

Aqui em Brasília estão querendo “tarifa zero”. Agnelo diz que isso custaria R$ 130 milhões por mês, mais de R$ 1,5 bilhões por ano. Esse povo realmente quer gastar esse dinheiro todo só pra andar de ônibus “de graça”? Entre aspas mesmo, porque nada é de graça. É óbvio que vamos continuar pagando o mesmo valor, só que não para o cobrador, mas direto pro Estado. Aliás, por falar em cobrador, alguém já reparou que eles perderão o emprego? E você vê alguém preocupado com a situação deles?

E a cereja do bolo: o vídeo postado no youtube no canal oficial não permite clicar nos botões “gostei” e “não gostei” nem permite comentários. E tem gente que acredita que o governo realmente está preocupado com a nossa opinião…

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“Cura gay”

Ontem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM, presidida pelo pastor Marco Feliciano) aprovou o PDC 234/2011, que susta a aplicação de dois trechos da Resolução CFP 001/99, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que já foi comentado aqui.

Imediatamente, alguns “amigos facebookianos” que sempre defendem a causa gayzista (achando que assim estão defendendo os homossexuais) começaram uma onda de críticas à aprovação do que era chamado de “projeto da cura gay”. O nome, percebe-se, é uma tentativa de utilizar a rotina de “rótulo odioso”, um dos 38 “principais esquemas argumentativos enganosos que os maus filósofos utilizam, com razoável sucesso, para persuadir o público de que 2 + 2 = 5” explicados por Schopenhauer no livro “Como vencer um debate sem precisar ter razão – em 38 estratagemas (Dialética Erística)”. A intenção é clara, e já está no título do livro: vencer um debate sem nem ao menos precisar argumentar, provocando aversão já ao nome do projeto, fazendo com que o público tenha uma ideia errada do seu conteúdo. Não é difícil notar que se trata de uma rotina profundamente desonesta.

Como eu já mostrei anteriormente, a resolução CFP 001/99 restringe o direito dos homossexuais, negando-lhes o direito de procurar um psicólogo para mudar um comportamento indesejado. Portanto, o que o PDC 234/2011 faz é justamente restituir aos homossexuais esse direito que lhes foi subtraído pelo CFP. É, portanto, uma clara vitória dos homossexuais. É uma violência contra eles(as) que foi derrubada pela CDHM.

É nessas horas que parece que o movimento gayzista não está realmente interessado no direito dos homossexuais. Quando o direito foi tirado, em 1999, não se ouviu uma manifestação contrária por parte deles. E ontem, quando o direito foi restituído, o que se viu foi uma lamentação generalizada. Quando uma vitória dos representados significa uma derrota para os representantes, é impossível não desconfiar que exista algo muito mal contado nessa história.

Durante as conversas no Facebook, quando tentei demonstrar que se tratava de um avanço no direito dos homossexuais, foram levantadas algumas objeções:

A homossexualidade não é comportamento adquirido

Essa hipótese já foi bastante estudada, mas nunca provada como verdadeira. É verdade que já há indícios que ela não seja totalmente falsa, pois já foram observados índices maiores de coincidências em pessoas da mesma família. Esse estudo fala em 40%. Outros mostrarão números maiores, outros menores, mas nunca 0% ou 100%. Portanto, declarar a hipótese como sendo uma verdade é um grande salto de fé. Note que não se trata de dizer que “o gene da homossexualidade não existe”. Se trata de provar que “não há homossexualidade que não seja genética”. Inclusive, é um argumento muito fácil de ser derrubado: basta um único exemplo em contrário. O ônus da prova é imenso, e nunca foi apresentado. Impor uma proibição com base em um argumento duvidoso não me parece ser algo muito ético…

Mas para efeitos didáticos, vamos supor que essa hipótese seja verdadeira. Ainda assim persiste a pergunta: por que proibir? Voltando ao exemplo do texto anterior, de roer as unhas: se um dia provarem que esse comportamento é 100% genético devemos impedir que o tratamento seja prestado para quem deseja?

Orientação sexual não é comportamento. Ou você escolheu a sua?

A afirmação está correta, sem dúvida: orientação sexual é uma coisa, comportamento homossexual é outra bem diferente. Afinal, nada impede que alguém mantenha um comportamento homossexual por puro prazer, sem sentir atração sexual pelo parceiro. O problema é que, apesar de estar correta, a afirmação simplesmente não atinge a argumentação, pois o parágrafo único do artigo 3º da resolução CFP 001/99 (um dos trechos sustados pelo PDC 234/2011) não faz essa distinção. Mesmo que a homossexualidade de um determinado indivíduo seja apenas um comportamento, ele será impedido de conseguir tratamento.

E novamente vamos supor que a objeção seja verdadeira, ou seja, que seja impossível existir comportamento homossexual separado de orientação sexual. Ainda assim, não me parece sensato proibir essa reorientação caso isso seja desejado pelo paciente.

Tem muitos gays por aí querendo deixar de ser?

Não sei a resposta, mas no fim das contas ela não importa, pois esse é um ponto totalmente irrelevante. Afinal: se forem muitos? Então esse é um problema grave que deve ser resolvido o quanto antes, e portanto um grande avanço. E se forem poucos? Eles devem perder direitos pelo simples fato de serem uma minoria?

O cerne da questão

Para não permitir devaneios, é bom frisar que o que está em discussão é o seguinte: você gostaria de ter um tratamento que você deseja ser negado pelo CFP ? Ou prefere ter o direito de escolher você mesmo que tratamento você deseja?

Isso levantou outras duas objeções:

Posso pedir tratamento mesmo sem estar doente? Ou para a doença errada?

Bom… Pedir você pode. O que não pode é exigir, e isso não está em questão. Se o médico, com toda sua experiência e conhecimento do assunto, achar melhor negar o tratamento, deve ter a liberdade de negá-lo. Ninguém está dizendo o contrário. Da mesma forma, nenhum psicólogo seria forçado a “tratar” um caso de homossexualidade.

Posso pedir qualquer tratamento, mesmo que seja anti-ético?

Minha opinião é clara: não. Mas, novamente, a objeção não atinge o argumento. Para que atinja, o argumentador terá que explicar por que a mudança de comportamento sexual deve ser considerada uma atitude anti-ética. Até agora não obtive resposta.

Um update para colocar uma outra objeção que vi por aí:

E o caso dos adolescentes homossexuais que são forçados pelos pais a ir ao psicólogo?

Uma outra pessoa citou o filme “Orações para Bobby”, onde um adolescente homossexual é levado ao suicídio por não ser aceitado pela mãe. Ele argumentava que talvez esse seja o fim dos adolescentes homossexuais levados de maneira forçada pelos pais ao psicólogo.

Bom… Aqui temos um argumento que parece sólido, mas que também não resiste a uma análise mais profunda.

Pra começar, uma analogia: o que aconteceria se um determinado pai ou mãe levasse um adolescente heterossexual a um médico pedindo uma cirurgia de mudança de sexo contra sua vontade? Seria uma atitude parecida com a relatada, uma violência digna de levar alguém ao suicídio.

Agora a pergunta: quantos médicos aceitariam uma proposta dessas? Que médico não seria capaz de perceber o prejuízo que estaria causando ao adolescente? Por outro lado: há médicos que aceitariam? Provavelmente, dependendo da grana oferecida. Isso tornaria o ato ético? Obviamente não. Caso a história fosse descoberta, um médico desses deveria ser punido exemplarmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)? Obviamente sim.

Voltemos agora ao tratamento psicológico, então: o que dizer de um psicólogo que não se importa com o prejuízo que está causando ao adolescente cujos pais pedem um tratamento contra a sua vontade? Ele estaria sendo ético? E o que dizer de um psicólogo incapaz de perceber que seu paciente está sendo levado ao suicídio? Obviamente seria um profissional incompetente. Portanto, percebemos que é esse tipo de profissional que deve ser alvo de perseguição por parte do CFP, e não os homossexuais que buscam o tratamento por vontade própria.

Conclusão

Ainda não encontrei um único motivo para que os que defendem os direitos dos homossexuais acharem essa lei um retrocesso. Pelo contrário: tudo indica que essa foi uma grande vitória dos homossexuais.

Se o movimento gayzista lamenta a aprovação dessa lei, provavelmente é porque não se importa realmente com os direitos dos homossexuais…

Protestos

Resumo dos protestos:

Começa com o governo prometendo o que não pode cumprir e o povão acreditando (quando vão aprender?).

Aí, quando o povão percebe que o governo não cumpriu o que prometeu (e que ele já sabia que não cumpriria porque não tem como), vai pra rua protestar para que o governo cumpra o incumprível.

Resultado: isso só vai acabar quando o povão perceber que o governo NUNCA vai prover serviços públicos que prestem. Mas alguém tem alguma esperança de um dia isso acontecer?